28 julho 2011

Costa, amigo do peito

Desde que escrevo estes singelos textos, invariavelmente sou acossado por alguns amigos (e muitos inimigos) com a frase: “oh pá, tu tens que ir jantar ao…”.

Sendo mais ou menos incorruptível (ver tabela de preços em anexo), evito seguir tais recomendações. No entanto, resolvi abrir uma excepção já que o conselheiro em causa, para além de ser amigo mesmo, apresenta sinais exteriores de riqueza gastronómica nada desprezíveis (vulgo, uma pança descomunal).

Mal nos sentamos na acolhedora e arrumadinha sala do Costa somos presenteados com uma excelente broa e azeitonas, pataniscas de bacalhau e umas soberbas e crocantes petingas. A carta de vinhos, não sendo vasta, tem as trivialidades necessárias à rega daquilo que verdadeiramente me trouxe até aqui: as lulas recheadas. O menu contém artilharia pesada e que um dia farei questão de provar (como a cabeça de pescada ou o peixe-galo com açorda de ovas), mas eu sabia ao que vinha. As lulas são confeccionadas de acordo com todas as regras. Para além de tenríssimas, o recheio constituído maioritariamente por tomate, presunto e os tentáculos das mesmas estava no ponto (o que é difícil porque quase sempre acaba por ficar ou insosso ou salgado). Para sobremesa nada melhor do que uma rabanada (foram três) e uma aguardente das proibidas.

E saio a cantarolar aquela do Milton Nascimento: “amigo é coisa para se guardar no lado esquerdo do peito…”.

Restaurante Costa * Rua Roberto Ivens, 205 – Matosinhos * Contacto: 22.9380154 * 12h30-15h00 / 20h00-24h00 (encerra ao jantar de Domingo) * Preço médio: 18 € * Nota: 70%

21 julho 2011

Empedernido

Dirigi-me a Vila do Conde para um repasto que prometia ser memorável. À chegada, sou traído pelo GPS. Perco-me olimpicamente, as horas vão passando, resolvo ceder às pressões do meu abrutalhado estômago e solicito subjectivíssimas opiniões a autóctones sobre onde é que se come bem. Estavam reunidos os ingredientes para a desgraça.

A sala do Pedra Alta é ampla e, apesar de um bocadinho kitsch, até prometia um serão agradável. Mas uma recepção e atendimento género estabelecimento prisional foram apenas o início das hostilidades e de uma profunda infelicidade.

Enquanto leio o menu, daqueles com fotografias para, justamente, evitar perguntas e facilitar a vidinha aos empregados, atiram-me com torradas de pão de forma industrial encharcadas em manteiga (?) de alho. Tentando animar-me, peço um creme de marisco (que serviu para desenjoar das torradas) e uma caipirinha. Assustado com as imagens chocantes dos pratos, decido-me por uma espetada mista (camarões e lombo de boi) que chega antes da caipirinha! A carne é tenra mas prima pela ausência de tempero e os camarões são tão secos (ou tímidos) que só dificilmente se deixam despir. Para cúmulo, quando procuro compensação emocional nas sobremesas só encontro doces industriais numa cedência à preguiça que merecia, no mínimo, uns açoites.

Saio sem fome mas empedernido. E vingo-me no GPS que abandono algures na A28.

Pedra Alta * Rua Almeida Garrett, 323 – 1.º – Vila do Conde * Contacto: 252.638305 * 12h00 às 14h30 e das 19h30 à 02h00 (encerra Domingos e feriados) * Preço médio: 20 € * Nota: 40%

14 julho 2011

Ingratidão

Entro com devoção num dos restaurantes mais antigos da Cidade do Porto. E a sensação é exactamente a esperada. O octogenário Escondidinho está como sempre foi. A modernidade e o requinte de 1931 encontram-se inalterados e permitem-nos uma viagem no tempo aconchegante e retemperadora. Sente-se quase uma espécie de protecção. Parece estarmos a salvo de um inquietante presente e dá-nos esperança de que o futuro não venha a ser o que nos prometem.

Sou recebido pelo seu responsável máximo, Amarílio Barbosa, que, embora estranhando o meu excelente português, com uma gentileza e profissionalismo impares me faz sentir em casa. Lentamente começo a verificar que as sábias palavras de Francisco Quevedo se confirmam: “quem recebe o que não merece, poucas vezes o agradece”. O cosmopolitismo (leia-se o novo-riquismo bacoco) dos portuenses levou-os a trocarem uma casa que tudo lhes deu por paraísos artificiais japoneses, mexicanos ou indianos condenando-o a viver quase exclusivamente da visita de turistas em busca do que os autóctones desprezam: alguns dos melhores pratos da gastronomia portuguesa.

A maior parte dos convivas são espanhóis, o que produz um ruído de fundo quase insuportável. Ainda soltei entre dentes um “por que no te callas”, mas desisti, até porque o estrangeiro era eu.

Na garrafeira há quase de tudo e para todos os gostos e preços. Quanto aos pratos, a oferta é igualmente generosa e quase apetece pedir um menu de degustação (que não existe). Inicio perfeito com umas amêijoas à Bulhão Pato, sinceramente das melhores que já comi (excepção feita para as de uma certa marisqueira de Matosinhos sobre a qual um dia destes vos falarei). Para prato principal fico muito dividido entre as diversas cataplanas possíveis, um robalo ao sal, ou o bacalhau à escondidinho. Mas a tentação da carne é mais forte e opto por um tornedó Rossini. E não me arrependo nadinha. A carne desfaz-se na boca e o molho e paté que a acompanham fazem o resto. Inesquecível.

Já na sobremesa, fui atraiçoado pela nostalgia. A tarte de maçã folhada, que já foi uma referência do Guia Michelin, era pura palha. Mas a um octogenário podemos perdoar certos deslizes.

Confirmei com uma esperança renovada no futuro que o Escondidinho, como a Cidade, continua mui nobre, sempre leal e invicto. E os portuenses? Devem estar escondidos ou com a boca num qualquer Sushi. Ingratos!

O Escondidinho * Rua Passos Manuel, 142 – Porto * Contacto: 22.2001079 * Das 12h às 15h e das 19h às 23h (não encerra) * Preço médio: 35 € * Nota: 80%

Às armas!

Ainda que o sangue me engane tinha de ir a Viana para saborear o anunciado melhor bife do mundo. O Kobe Beef é assim designado por ser originário da homónima região japonesa onde as vacas Wagyu são tratadas como galdérias, perdão, princesas: recebem diariamente sessões de massagem, ouvem música clássica e “bebem” doses generosas de cerveja japonesa. Resultado: a melhor carne do planeta. Infelizmente ainda estou a ouvir música clássica para me acalmar do sobre(a)ssalto: 80 Euros por um bife (300 gr.) fez-me recear que me roubassem o estômago à saída. Desisti.

O Casa d’armas surpreende pela sua dimensão (acolhedor mas acanhado) e, sobretudo, pela ausência de armas. Esquecido o Kobe beef, recebo com apreensão as sugestões do sisudo chefe Julião. Boa garrafeira e um profissionalíssimo aconselhamento e serviço. Para entrada sardinhas em escabeche que comi e repeti. A refeição principal foi uma espécie de compensação emocional: Terra e Mar composto por um tenríssimo e saboroso bife repousando numa fatia de pão afundados num molho com forte teor alcoólico, acompanhado por impressionantes camarões, tudo flamejado à nossa frente. O sublime de laranja garantiu um final feliz. Ou quase. É que no melhor pano cai a nódoa. Quando peço a conta, percebo que as armas chegam no final: a conta é um roubo (95 € por duas refeições!).

Voltar até volto. Mas desarmado nunca mais.

Casa d’armas * Largo 5 de Outubro, n.º30 – Viana do Castelo * Contacto: 258.824999 * Das 12h30 às 15h e das 19h30 à 22h30 (encerra à 4.ª feira) * Preço médio: 45 € * Nota: 75%

07 julho 2011

Dependências

É cada vez mais comum confessar publicamente fraquezas, gostos e, pasme-se, dependências. Fazer da nossa vida um livro aberto (ainda que electrónico) parece uma obrigação. Há inclusivamente uma indústria que se alimenta disso mesmo e a que solenemente nos habituamos a chamar “redes sociais”. Fraco adepto de tais redes (ainda prefiro as que me trazem o peixe ao prato) utilizo este humilde meio para anunciar a minha vulnerabilidade: sou totalmente dependente de coisas acabadas em “ina”. Sosseguem. Estou a falar, essencialmente, de cafeína. Mas, acima de tudo, do Cafeína.

As opiniões sobre o mundo da restauração dividem-se frequentemente entre os que acham que a decoração de um restaurante é fundamental e os que defendem que o que verdadeiramente importa é a comida. E quando se conciliam os dois mundos? Paraíso na terra. Ora esse é precisamente o caso do Cafeína.

Nascido para responder a um determinado conceito estético (em que, digamos, se comia com os olhinhos), conseguiu impor-se por ter aliado a essa “estética” a ética de servir dos melhores repastos que é possível degustar em Portugal, fazendo desta casa um clássico sempre na moda. Ainda por cima, coisa rara e nunca vista, reservaram o seu espaço mais nobre para os fumadores. Único senão é a música “ambiente” e o seu excessivo volume que convida à mímica e impede qualquer diálogo (que não seja de surdos).

A carta de vinhos, disponibilizada em Ipad fresquinho, não é para info-excluídos. Mas as inúmeras opções disponíveis produzem mais coesão do que 500 reuniões de concertação social.

Quanto à comida, confesso que, enquanto escrevo, o síndrome de abstinência ataca-me, as glândulas salivares parecem amêijoas e só penso quando é que poderei regressar ao vício.

Início com a irresistível terrina de foie gras com pão fumado e maçã caramelizada que não repito por pura vergonha. Para prato principal, um vício de longa data: o bife tártaro, uma raridade só aparentemente simples (e muito out of fashion) que o Cafeína confecciona na perfeição sem esquecer nenhum dos preciosos ingredientes (destaque para as excelentes alcaparras). Terminar em beleza é saborear o bolo de chocolate amanteigado seguido de um sorvete de limão.

Se somos o que comemos, quando saio do Cafeína, sou lindo! E se me virem algum dia a arrumar automóveis e a mendigar uma moedinha, não sejam maus: todos temos os nossos vícios…

Cafeína * Rua do Padrão, 100 – Porto * Contacto: 22.6108059 * Das 12h30 às 18h e das 19h30 à 01h30 (não encerra) * Preço médio: 45 € * Nota: 90%

30 junho 2011

Contributos para o índice da felicidade interna

Começo por uma declaração de interesses: esta crónica é um apelo desesperado à adopção. Estou totalmente disponível para abdicar dos poucos laços de sangue que me restam e entregar-me nos braços de Ana Maria e Desidério Rodrigues. Prometo ser um filho leal, obediente, meigo, carinhoso, trabalhador, enfim, o filho perfeito. Condições? Cama, mesa e roupa lavada. Ou apenas mesa. Onde? No Solar Bragançano, claro.

Falo-vos de uma casa encantada, do castelo imaginário da nossa infância onde as promessas de requinte, sofisticação, fartura e felicidade eterna se cumprem como nos sonhos: para sempre. E era aqui, nesta casa, neste abrigo, que eu queria viver. E de certa forma vivo. Porque só aqui me sinto verdadeiramente feliz. Quando me passeio por estas salas ao som de Mozart ou Haydn, quando degusto as primeiras entradas, quando provo os divinos sucos do Douro, quando fumo num pequeno pátio repleto de flores e aromas celestiais, percebo que tudo o resto que faço na vida faço-o em função de poder experimentar momentos como estes. Viver sem ter desfrutado desta joie de vivre é pura ilusão.

Perdida que está totalmente a objectividade crítica, prossigamos sem medos. Em relação à comida só posso dizer que tudo é excelente. Mas a caça é a aposta certa. O pote mágico de Ana Maria transforma lebres, faisões e perdizes em raridades que fazem as papilas gustativas enviar-nos mensagens ao cérebro que, como compreenderão, não posso aqui reproduzir.

Depois de preciosas iguarias de fumeiro regional e torradas embevecidas em azeite dos deuses, degustemos uma sopa de castanhas. Para prato principal as minhas preferências vão para: javali estufado, perdiz com uvas, arroz de lebre e o soberbo faisão com castanhas. Peixe também é possível e um congro grelhado a melhor opção. Para sobremesa sugiro a abóbora dourada ou a sopa de cerejas.

Querem revisão constitucional? Pois bem, na minha opinião a Constituição da República Portuguesa deveria ter apenas um artigo: todos os cidadãos, maiores de idade, devem ter o direito de, pelo menos dez vezes na vida, almoçar ou jantar no Solar Bragançano. Os restantes artigos estão implícitos. Liberdade, igualdade e felicidade. Os fundamentais.

P.s. A nota de 99% e não 100% é uma pequena reserva de opinião. Quando a Ana Maria e o Desidério Rodrigues me adoptarem, liberto o 1% restante.

Solar Bragançano * Praça da Sé, n.º 34 – Bragança * Contacto: 273.323875 * Das 12h às 15h e das 20h às 23h (encerra à 2.ª feira em época baixa) * Preço médio: 25 € * Nota: 99%

Do Aleixo nunca me queixo

A primeira vez que entrei nesta casa foi há mais de 30 anos. Vim pela mão do meu saudoso avô que nesse dia me disse: “hoje vamos almoçar fora”. Desconhecia o verdadeiro significado daquelas palavras. Rápida e surpreendentemente descobri que tinha outra casa e outra família mas com a vantagem de que podia escolher o prato.

A Casa Aleixo é um dos poucos restaurantes “históricos” do Porto que nos resta. Numa sala com paredes de pedra, repletas de memórias (as duas páginas de Frank Bruni no The New York Times impressionam), o acolhimento não é exuberante mas é eficiente. No menu (também disponível em japonês) esperam-nos as lendas que continuam a cativar pela manutenção da sua qualidade ao fim de mais de 50 anos de existência. Da “farmácia” (garrafeira) nada de genéricos: qualidade e quantidade. Do “laboratório” (cozinha) podemos esperar as melhores experiências e a plena satisfação da “sala de operações” (sala de jantar). Ex-libris obrigatórios são os filetes de pescada e de polvo. Mas um cozido à portuguesa, uma chispalhada com feijão vermelho e grelos ou o cabrito assado no forno não fazem ninguém perder a viagem. Grand finale, uma preciosidade: as rabanadas encharcadas em mel e vinho do Porto.

Nestes tristes tempos em que a urgência de competitividade, criatividade e inovação nos oprimem conforta regressar a uma casa onde a tradição ainda é o que era.

Casa Aleixo * Rua da Estação, 216 – Porto * Contacto: 22.5370462 * Das 12h00 às 14h30 e das 19h30 à 22h00 (encerra Domingos e feriados) * Preço médio: 20 € * Nota: 70%

23 junho 2011

Devagar que nem um abade

Os acontecimentos mundiais e nacionais mais recentes (sim, estou a falar da crise, ou lá o que é) convidam à reflexão, à contemplação, e, no limite, ao recolhimento. Impossibilitado de entrar para um convento (ainda é cedo) procurei beneficiar pelo menos da melhor parte de tal desígnio: comida conventual.

À chegada o Senhor Abade, perdão, o chefe João sugere-me, persuasivamente, que leia a introdução do menu avisando-me que não estou num restaurante normal. Lido o memorando de entendimento, percebo quais as principais e mais urgentes medidas a tomar. O principal driver (como se diz agora) é que tudo se irá passar devagar. E que em termos gastronómicos iremos entrar numa máquina do tempo. Bons presságios.

A cozinha do Senhor Abade oferece-nos um menu baseado na reconstituição de pratos antigos (algumas receitas têm mais de cem anos) de origem nortenha e conventual e serve-os de forma a desacelerar a postura e o palato. Estamos portanto perante um restaurante em que a slow food comanda. Há apenas um senão: para comermos as mais sugestivas preciosidades é preciso encomendar com antecedência e só poderão ser confeccionadas para um mínimo de 4 pessoas. Orgias, portanto. Ou seja, a um single fica vedado o acesso às raridades.

A carta de vinhos é bastante variada e descobrimos uma fantástica possibilidade: pedir vinho a copo, coisa muito útil para quando se está sozinho ou para quando se quer variar ou melhor adaptar o copo ao prato.

Para entradas as possibilidades são quase todas apelativas. Opto por experimentar a morcela (nada de especial), uns pezinhos de porco ao ovo (como nunca tinha comido) e lombinhos de carapau numa cama de azeite (como pode uma coisa tão simples ser tão deliciosa?).

Quanto aos pratos principais, deixo-me levar inteiramente pela mão do omnipresente chefe e experimento um guizo de polvo com bolo de milho e brócolos brancos (fico sem entender porque é que tanta gente trata tão mal o polvo) secundado por uma suculenta bochecha de vaca com milhos que me desperta sensações até então desconhecidas.

As sobremesas são pesadas, mas incontornáveis. Sopa dourada, arroz doce branco com molho de amora e o charuto de ovos (a única coisa que, lamentavelmente, se pode fumar neste espaço) foram as opções.

À saída reparo que o Senhor Abade fica mesmo em frente à Viela dos Abraços. E é isso que nos apetece: abraçar o mundo. Devagarinho.

Senhor Abade * Rua Direita, 98 – Leça da Palmeira (Matosinhos) * Contacto: 22.0114266 * Encerra ao Domingo, feriados e almoço de 2.ª feira * Preço médio: € 25 * Nota: 85%

Faça você mesmo

Não sei se vos acontece o mesmo mas há dias em que me apetece cozinhar fora. Não me refiro a barbecues ou sardinhadas no quintal da vizinha. Falo de um bom “cozinhe você mesmo”, vulgo fondue, daqueles prolongados, com tempo para conversar, pausas para fumar e cheiro a carne esquecida no fundo da panela.

O Cheddar é um restaurante pequeno mas que permite a necessária privacidade. Além disso é ainda Cheddart. À semelhança de outras casas no Grande Porto, assumiu recentemente a função de galeria de arte exibindo fotografias de autor. Comer numa galeria de arte é um conceito interessante e que pode salvar um jantar. Ou vice-versa.

O couvert é fraquinho (tostas vulgaríssimas e um creme de queijo enjoativo), bem como a garrafeira. Nas entradas, uma espécie de iniciação aos fondues. Opto, e bem, pelo de enchidos. Em relação aos fondues propriamente ditos, vários componentes possíveis: carnes (aves e caça), peixe, marisco e, Deus me livre, vegetariano. Todos acompanhados de molhos variados, batata frita e ou arroz. Para os preguiçosos a alternativa seria um bife (molho à escolha). De sobremesa, agarrem-se bem, um fondue, claro, desta feita de chocolate.

Quando saio reparo que sou seguido de muito perto por uma matilha de cães exibindo um apetite voraz. Um fondue com serviço de lavandaria incluído seria seguramente negócio de ainda maior sucesso.

Cheddar tea & fondue * Rua Heróis de França, 611 – Matosinhos * Contacto: 22.4003044 * 12h30-14h30 20h-24h (encerra domingo e 2.ª feira ao almoço) * Preço médio: 20 € * Nota: 65%

16 junho 2011

Regresso ao futuro

Temos ouvido com frequência afirmar que o regresso à terra é inevitável. Não posso estar mais de acordo. Há muito tempo que eu digo que vivíamos na Lua. Decidi assim seguir os conselhos de um certo líder partidário e voltar à lavoura.

Na Casa Agrícola a recepção e atendimento não são exactamente um primor. Digamos que se enquadram no estilo “querem ver que vou ter que atender este pelintra?”. Compensam a decoração composta por objectos que nos criam uma ilusão de estarmos num museu ou de regresso à casa encantada dos bisavôs (que não conheci mas que gosto de imaginar que viviam assim).

O encanto continua quando descubro que existe uma magnífica sala de fumadores. Sendo o couvert miserável e totalmente dispensável (pão sensaborão, manteiga plastificada e azeitonas raquíticas), avanço para o menu e começo a perceber que vai valer a pena. A garrafeira é generosa. Das entradas, bastante convidativas, selecciono três de que não me arrependo: morcela com maçã e cebola, tarte de queijo chévre com doce de tomate e cogumelos recheados com camembert. Quanto aos pratos não resisti ao magret de pato com redução agridoce acompanhado de batata palha (entrou para o meu top ten) e a um bacalhau confitado com migas de coentros que me deixou de queixo caídos. Para terminar, um pavé de chocolate ou, em alternativa, um folhado com frutos silvestres.

Na Casa Agrícola o futuro faz-se no passado. E este é o melhor presente que podemos ambicionar.

Casa Agrícola * Rua do Bom Sucesso, 241 – Porto * Contacto: 22.6053350 * Das 12h às 15h e das 20h às 23h (encerrado aos Domingos e Feriados) * Preço médio: 25 € * Nota: 70%